A perversa estratégia de invisibilização

O bolsonarismo – modelo de gestão do poder constituído a partir do tripé verborragia, teatralização e oportunismo ideológico – tem estabelecido um perverso mecanismo de invisibilização contra as populações que lhe interessa atacar: a negação da existência do outro.

O comentário é de Vicente Thiago Freire Brazil, professor da UECE e doutor em Filosofia.

A sofisticada estratégia constitui-se por meio de um ataque indireto aos mais diversos sujeitos que o bolsonarismo deseja fazer desaparecer; por exemplo, a violência contra a população afrodescendente brasileira dá-se através da simplória e imoral negação do racismo construído de modo histórico na sociedade brasileira. A mais nova demonstração desta ferramenta de violência simbólica do bolsonarismo foi o monstruoso desprezo do sofrimento de milhões de brasileiros que passam fome, por meio da afirmação de que não há quem passe fome no Brasil.

Ora, as consequências oriundas destas táticas malévolas que retroalimentam o projeto de poder vigente no Brasil são múltiplas; uma das mais perigosas é a instrumentalização do projeto de invisibilização das populações em condição de vulnerabilidade social ou econômica com fins de encerramento de políticas públicas que beneficiem diretamente estes grupos sociais.

Porque promover políticas de ações afirmativas se – neste projeto político cruel – propagandeia-se a inexistência de populações vitimadas pelo racismo? Qual a razão de ser de programas de transferência de renda que garantam o acesso ao mínimo de alimentação a famílias em condições de pobreza extrema, se a fome nem existe no Brasil (conforme irresponsavelmente declarou o mandatário brasileiro)?

Contra um projeto político tão vil é urgente que as populações vítimas destes covardes ataques assumam o compromisso de tornarem-se indigestamente visíveis. Os robôs virtuais do bolsonarismo jamais serão mais reais que uma população que lute de modo consciente por seus direitos, e hoje em dia, mais do que nunca, pelo direito fundamental de existir.

Famintos existem, eu os vejo, respeito e luto por seus direitos!

Fonte

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