Os algoritmos estão formando novos machistas?

Eu já tinha ouvido falar em incels, os celibatários involuntários, porque eles estão ligados a diversos tiroteios mundo afora, inclusive aqui no Brasil. Mas fora isso, nem sabia da existência de outros grupos de ódio a mulheres até que a Carolina Oms, diretora d’AzMina, foi debater com um masculinista
Desde então, mergulhei na busca por esses grupos e descobri também os MGTOW (men going their own way, em português: homens seguindo seu caminho) e os Red Pill. Ambos pregam um “estilo de vida” do macho pegador, que conhece técnicas para não cair nas armadilhas das mulheres interesseiras que querem ter filhos e se apropriar do seu dinheiro. Foi em um canal dessa linha no Youtube que ouvi que “para ser feminista você tem que ter um QI [quociente de inteligência] muito baixo mesmo, por volta ali dos 70, que é o limite entre a sanidade e o retardamento mental”. Pois é… 
Mas sabe o que mais me surpreendeu dessa busca?
É que esses grupos não estão restritos aos fóruns secretos da deep web (internet sem rastros). Eles estão em grupos no Facebook, em canais do Youtube e perfis em várias redes sociais. Eles estão falando abertamente sobre isso tudo e com bastante audiência. O canal em que o QI das feministas é comentado tem 37 mil seguidores. E como eu nunca tinha ouvido falar nadica de nada sobre eles? 
Será que os algoritmos estão agindo para que gente como eu nem veja esse tipo de coisa, mas chegue especificamente aos homens que podem ser influenciados pelo conteúdo? 
Para saber, fomos investigar essa questão conversando com especialistas em tecnologia e internet. O resultado é a reportagem que publicamos esta semana. E já adianto aqui uma fala da Silvana Bahia, coordenadora do Olabi: “Existe uma visão de que tecnologias são neutras, mas, na verdade, essas tecnologias são feitas por humanos, que não são neutros”. 
Apesar disso, será que dá para culpar os algoritmos pelo machismo? Vai ter que ler a reportagem para descobrir
Beijos,
Helena Bertho
Diretora de redação da Revista AzMina

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