Economia Política

“Quanto mais extremo o capitalismo, mais extrema é a desigualdade”, afirma diretor do filme Parasita

A produção sul-coreana Parasita se tornou a primeira de língua não inglesa a ganhar o Oscar de Melhor Filme em sua versão de número 92, junto com outros três prêmios: Melhor Filme InternacionalMelhor Roteiro Original e Melhor Diretor.

A reportagem é de César Veja Martínez, publicada por BiobioChile, 10-02-2020. A tradução é do Cepat.

Precisamente seu diretor, Bong Joon-ho, concedeu uma entrevista, meses atrás, ao jornal espanhol El Mundo, na qual repassou questões sociais ligadas ao filme, como a luta de classes, obsessão de estar presos em uma bolha e o capitalismo na vida cotidiana.

Parasita, em linhas gerais, segue uma família de classe baixa da capitalismo, desigualdade, cultura que pratica astutos mecanismos de fraude para sobreviver e que consegue uma forma para que todos os seus membros trabalhem para uma família rica de Seul como tutores das crianças, motorista e governanta.

“Eu nunca pretendi propor uma metáfora elaborada. Está claro que a família pobre parasita a rica. Vivem escondidos em sua casa e se aproveitam disso. Mas, obviamente, a ideia é chegar à ideia oposta. É a família rica que impõe seus privilégios de parasitas de todo um sistema construído por eles para eles”, afirmou.

Junto com isso, Joonho disse que seu filme aborda um dilema entre famílias pobres e ricas em seu país, na perspectiva de um sistema econômico que às vezes pode ser cruel.

“Em geral, acredito que o cinema desse gênero é uma ferramenta perfeita para ler a sociedade, é a melhor maneira de se aproximar de um problema complexo. Consegue explicar as coisas fazendo um pequeno rodeio, mas de forma muito mais eficaz”, destacou.

“Nesse caso, trata-se de um drama entre ricos e pobres. Não há nada mais político do que esse ponto de partida. De qualquer forma, a ideia é sempre ir além. Não se trata de construir ou propor um manifesto, mas de construir o filme a partir dos personagens, de suas motivações e contradições”, acrescentou.

Também se referiu ao que, em sua opinião, é um dos principais problemas enfrentados pelas sociedades modernas: a desigualdade entre os membros de suas populações.

“Não sei qual é o grande problema do nosso tempo. Mas um deles é a fratura social entre ricos e pobres. Há mais: a mudança climática, as fronteiras… Mas acho que tudo deriva dessa distância. O exemplo é o meu país, a Coreia. Nós experimentamos um tremendo desenvolvimento econômico, exportamos o Kpop…, mas a violência pode explodir a qualquer momento, precisamente por causa da desigualdade. Sem diferença, não há capitalismo. Quanto mais extremo o capitalismo, mais extrema é a diferença”, comentou.

Por fim, o premiado diretor negou que seu filme seja pessimista, embora ressaltou que a realidade atual é “triste”.

“A realidade é triste. Nos últimos anos, experimentamos uma revolução incrível em todos os aspectos da vida e isso serviu para pouco. É claro que as coisas não funcionam. Não há nada que sugira que as coisas vão melhorar. A única coisa que cresce e melhora de maneira sustentada é o medo”, concluiu.

Cabe assinalar que Bong Joonho venceu na categoria de melhor diretor, disputando com Martin Scorsese (O Irlandês), Quentin Tarantino (Era uma vez em Hollywood), Todd Phillips (Coringa) e Sam Mendes (1917).

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