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Welby: A imagem de Jesus é demasiadamente eurocêntrica, como um homem branco

O primaz anglicano fala como é demasiado eurocêntrica a representação de Jesus e sobre o mundo pós-covid e a necessidade de se converter e perdoar como pede o Papa Francisco. O primaz anglicano Justin Welby falou sobre isso no canal quatro da rádio da BBC ontem pela manhã. Ele foi entrevistado durante o programa “Today“, o mesmo programa, com mais de 7 milhões de ouvintes, no qual o Papa se manifestou há alguns dias atrás. E precisamente as frases de Francisco foram mencionadas pelo arcebispo de Canterbury várias vezes. Durante a entrevista, Welby relatou sua experiência como voluntário no setor Covid do londrino “St. Thomas Hospital“. “Fica a apenas duzentos metros da minha casa e, portanto, vou lá com frequência”, disse o arcebispo.

A reportagem é de Silvia Guzzetti, publicada por Avvenire, 27-06-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

“Ver como esta doença tira tudo das pessoas, sua força, vigor, capacidade de respirar mudou para sempre a maneira com que eu vejo o mundo. Jamais esquecerei o olhar daquela senhora com quem orei, no setor de reanimação, que não conseguia mais falar e para quem era tão importante que nós estivéssemos por perto. Ela parecia estar nos perguntando o que estava acontecendo com ela”. “Percebi a nossa fragilidade e também a necessidade que temos uns dos outros, exatamente como o Papa Francisco disse”, acrescentou o primaz anglicano.

Welby depois falou da necessidade de uma conversão comum, do pós crise covid, dos protestos “Black lives matter” e dos graves problemas econômicos. “Precisamos aprender a perdoar – ele disse -. E por esse motivo, com outros líderes religiosos e também com pessoas que não são religiosas, trabalhei para lançar “Together“. Uma salva de palmas para a qual todos os cidadãos são convidados no dia 5 de julho, às 17 horas, para agradecer àqueles que nos ajudaram durante este período tão difícil”.

Questionado se algumas estátuas serão retiradas das igrejas anglicanas, conforme solicitado pelo movimento “Black Lives Matter“, o líder anglicano disse: “É possível, mas não cabe a mim decidir. É claro que devemos rever as estátuas e também as inscrições em todas as nossas igrejas, incluindo a Abadia de Westminstere a Catedral de Canterbury”. E ele admitiu, em conclusão, que “Jesus é representado de maneira demasiado eurocêntrica como um homem branco. Costumo visitar as igrejas de centenas de outros países e Jesus é representado como negro ou amarelo ou como médio-oriental. É importante reconhecer que o Jesus que oramos deve representar a universalidade de um Deus que se fez totalmente homem”.

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