Israel é um Estado que promove o apartheid

Por
Seraj Assi

Tradução
Cauê Seignemartin Ameni

A mídia continua a tratar israelenses e palestinos como participantes iguais em um conflito, mas o que estamos vendo é a realidade brutal de uma potência expansionista exercendo seu poderio militar sobre um povo destituído dos seus direitos humanos que tenta resistir.

Palestinos evacuam um prédio alvo de bombardeio israelense na Cidade de Gaza. (Mahmud Hams / AFP via Getty Images).

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Está sendo uma semana brutal para os palestinos em Jerusalém. Enquanto colonos israelenses de extrema direita preparavam um desfile provocativo pelo bairro muçulmano da Cidade Velha, as forças de segurança israelenses reprimiam manifestantes e fiéis palestinos pacíficos que realizavam orações do Ramadã na mesquita de Aqsa, ferindo centenas de pessoas numa repressão brutal.

Vídeos que circularam nas redes sociais nos últimos dias mostraram policiais israelenses jogando granadas de gás lacrimogêneo e disparando balas de borracha contra palestinos dentro da mesquita, atacando fiéis palestinos e espancando violentamente um palestino dentro da mesquita. Nesta segunda-feira, outros ataques israelenses em Gaza mataram vinte palestinos, incluindo dez crianças.

Mais uma vez, Israel transformou as comemorações do Dia de Jerusalém, um feriado nacional israelense que comemora a reunificação de Jerusalém e o estabelecimento do controle israelense sobre a Cidade Velha, em uma ocasião para reprimir os palestinos e lembrar ao mundo que é de fato, como o relatório da Human Rights Watch reconheceu, na semana passada, um Estado de apartheid.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou a polícia por “manter o pulso firme” contra os palestinos, declarando: “Jerusalém é a capital de Israel e assim como toda nação constrói sua capital, também temos o direito de construir e edificar Jerusalém. Isso é o que temos feito e é isso que vamos continuar fazendo.”

Isso nada mais é do que um esquema descarado de grilagem de terras, um plano expansionista elaborado em plena luz do dia e apoiado por colonos violentos. O plano da “Grande Jerusalém”, apoiado por Netanyahu, planeja anexar Jerusalém, onde centenas de milhares de palestinos – constituindo quase 40% da população da cidade, com milhares vivendo atrás da “barreira de separação” em Jerusalém Oriental – estão enfrentando a perspectiva diária de despejo. Colonos de extrema direita, armados até os dentes e encorajados por políticos de direita, estão insistindo que a Suprema Corte israelense efetue a expulsão de famílias palestinas de Jerusalém Oriental.

O que está acontecendo em Jerusalém, então, não são “confrontos” entre israelenses e palestinos, como os principais meios de comunicação querem que você acredite. O que está acontecendo é a brutal realidade diária de uma potência ocupante, encorajada pelo apoio incondicional dos EUA e pela apatia internacional, exercendo seu poder militar contra um povo apátrida que vive sob seu controle, privado de seus direitos humanos e civis básicos. O que está acontecendo é um governo Netanyahu aparentemente encorajado pelo silêncio ensurdecedor de Washington, onde o governo Biden ainda não tomou uma posição clara sobre a violação contínua dos direitos palestinos.

Em Washington, as poucas exceções ao silêncio covarde ou à torcida pró-Israel vieram de políticos de esquerda. O senador Bernie Sanders se manifestou veementemente contra a brutalidade desenfreada dos colonos israelenses apoiados pelo governo, tweetando: “Os Estados Unidos devem se pronunciar duramente contra a violência de extremistas israelenses aliados do governo em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, e deixar claro que o despejos de famílias palestinas não devem prosseguir”.

A congressista Alexandria Ocasio-Cortez disse em uma mensagem no Twitter: “Somos solidários com os palestinos. As forças israelenses estão expulsando famílias de suas casas durante o Ramadã para inflingir violência. É desumano e os EUA devem mostrar liderança na proteção dos direitos humanos dos palestinos.”

A congressista Rashida Tlaib compartilhou um vídeo no Twitter mostrando as forças israelenses disparando granadas contra um centro médico palestino e disse: “Não há nenhuma razão para atacar as pessoas enquanto elas estão orando ou buscando atendimento médico – a não ser para desumanizá-las e aterrorizá-las.” Apelando ao presidente Joe Biden para intervir e impedir que Israel entre no Monte do Templo, onde as forças israelenses têm atacado os palestinos, Tlaib advertiu ainda que “muitos estão em silêncio ou desdenhosos, pois nossos impostos continuam a financiar este tipo de desumanidade. Estou cansado de ver as pessoas agindo com medo, em vez de fazer o que é certo por causa da intimidação de lobistas pró-Israel. Isso é apartheid, puro e simples”.

O congressista Ilham Omar também tweetou em solidariedade aos fiéis palestinos, escrevendo: “Isso está acontecendo enquanto os muçulmanos rezam tarawih e tahajud na Palestina. Famílias que oram a noite toda durante o Ramadã, a mesquita é como um lar. Os palestinos merecem encontrar refúgio em uma mesquita e paz no Ramadã.”

Por décadas, consecutivos governos norte-americanos deram a Israel um cheque em branco para seguir suas políticas expansionistas e segregacionistas contra os palestinos, gastando dinheiro público com um governo do apartheid que está matando e deslocando palestinos todos os dias.

Os Estados Unidos não devem ser cúmplices dessas atrocidades contínuas. O governo Biden deve pressionar Israel para encerrar sua ocupação, desmantelar seus assentamentos ilegais e reconhecer os direitos dos palestinos. Deve seguir o exemplo dos senadores Sanders e Elizabeth Warren, que repetidamente pediram a imposição de condições para a ajuda militar dos EUA a Israel.

Israel não pode agir impunemente e matar e consequências. A ocupação e o apartheid devem ter um custo.

Plano Jacobino

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